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a
abordagem do Instituto Fonte: avaliação como oportunidade de aprendizagem |
artigo
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* por Daniel Brandão, Mariangela de Paiva Oliveira e Rogério
Renato Silva
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Este artigo é parte da publicação “Desafio do nosso tempo”,
uma iniciativa da
Fundação Telefônica. A
publicação é
resultado da reflexão sobre a avaliação do programa Pró-Direitos,
que apoiou redes de atendimento à criança e ao adolescente.
Escrito em parceria com o Instituto Fonte,
a íntegra do texto conta os
desafios e as experiências vividas por quatro redes que foram
financiadas pelo projeto. Neste capítulo você tem acesso à abordagem
da avaliação realizada pelo Instituto Fonte e como ela se relaciona
com a aprendizagem. |
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À medida que se desenvolvem idéias e práticas
neste todo complexo que é o setor social, que se multiplicam os
programas e as políticas de interesse público e que se intensificam
as inter-relações técnicas e políticas entre Estado, setor privado e
organizações da sociedade civil, temos observado um aumento
exponencial do interesse pelos processos de avaliação. Ora em busca
de melhorar a gestão das organizações, ora em busca de compreender o
impacto social dos investimentos ou de amplificar a relevância das
práticas sociais, torna-se hegemônica a idéia de que os processos de
avaliação são centrais para o desenvolvimento do setor.
Por outro lado, são também freqüentes os casos
em que processos de avaliação têm se transformado em procedimentos
de controle e punição, bem como em ferramentas de pressão e coerção
que amedrontam e paralisam as pessoas e as organizações, produzindo
mais problemas que aprendizagens e desperdiçando recursos públicos
ou privados.
O que então nos ajudaria a produzir processos
de avaliação que ampliassem nossos conhecimentos a respeito da
realidade social, que trouxessem mais consistência e inspiração para
planejar o futuro e que, sobretudo, intensificassem a aprendizagem
das pessoas e das organizações? Sustentar esta pergunta certamente
nos ajudará a fortalecer a apropriação que teremos dos processos de
avaliação; uma vez em nossas mãos, será mais fácil escolher o
caminho a seguir e, mais ainda, avaliar verdadeiramente para
aprender.
Ao longo dos últimos anos o Instituto Fonte tem
trabalhado intensamente com avaliação de programas sociais no
Brasil. Ao visitar diferentes regiões e mergulhar em diferentes
culturas organizacionais - organizações de base rurais e urbanas,
universidades, empresas e fundações nacionais e internacionais -
temos compreendido diferentes repertórios culturais e diferentes
maneiras de ler a realidade social, o que tem nos provocado a
elaborar conceitos e práticas de avaliação fortemente marcadas pela
premissa de apoiar as pessoas e organizações a aprenderem e a
nutrirem seus processos de desenvolvimento.
A experiência na avaliação do Programa
Pró-Direitos da Fundação Telefônica procurou se manter alinhada a
este campo de valores. Diante do convite da Fundação Telefônica para
apresentar uma proposta de trabalho para a avaliação do Pró-Direitos
em seu quinto ano de vida, nos lançamos o desafio de, mais uma vez,
ajudar os interessados a inter-relacionar o processo de avaliação a
seus processos de desenvolvimento. Como ponto de partida, tínhamos
um conjunto de valores que compartilhamos a seguir:
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A qualidade de um
processo de avaliação está umbilicalmente ligada à qualidade das
perguntas avaliatórias, ou seja, àquilo que efetivamente é
necessário saber em um dado momento da vida da organização ou
programa. Perguntas sem sentido levarão a processos sem sentido.
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A qualidade das
perguntas avaliatórias está relacionada à qualidade das relações
estabelecidas entre os interessados em uma iniciativa qualquer.
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Quanto mais
intensas e diversas as interações, maiores serão as possibilidades
de que eles aprendam juntos.
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As perguntas
avaliatórias são campos conceituais importantes e costumam abrigar
os valores que fundamentam um programa e orientam a leitura de
resultados pelos interessados. Quanto mais o grupo compreende os
conceitos que sustentam suas práticas, mais facilmente o conjunto
de indicadores capaz de tornar visíveis os resultados se revela.
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O uso de
indicadores pode ajudar os grupos a explicitarem seus conceitos,
interesses e expectativas a respeito dos resultados de um
programa. Para torná-los mais consistentes, é fundamental discutir
cada indicador em detalhe, mergulhar em suas definições e
compreender o sentido de cada elemento em particular. Quanto mais
nos envolvemos na construção de indicadores, mais claro se torna o
mosaico a partir do qual os resultados são percebidos. Os
indicadores precisam ser lidos de forma sistêmica, como são na
realidade.
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Conhecer a
realidade exige métodos de investigação diferentes e
complementares. Não há número ou discurso capaz de revelar o todo.
Linguagens qualitativas e quantitativas podem coexistir em
harmonia e ajudar os interessados a compreenderem os processos e
os resultados de seu trabalho.
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Os resultados de
um processo de avaliação não podem ser concentrados em um único
relatório final: é preciso manter o diálogo vivo e fazer com que o
processo promova aprendizagens permanentes. Apostar todas as
fichas em um relatório final é uma boa maneira de arriscar o
aprender.
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Os processos de
avaliação são geralmente ricos em técnicas e procedimentos, o que
pode facilmente adormecer os sujeitos para as relações, os
conflitos, os medos e os desejos. Possuir um grande instrumental
técnico e trabalhar com rigor metodológico não garantirão
aprendizagens. É preciso cuidar das relações e sustentar perguntas
e curiosidades para que o ato de avaliar seja também um ato de
aprender; o processo não pode ser submetido ao controle dos
instrumentos.
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Um processo de
avaliação não termina necessariamente em tomada de decisão ou
guinada radical na direção de um programa. A ampliação do diálogo,
a renovação das relações, a incorporação de novas formas de
aprender e trabalhar em grupo podem ser resultados tão importantes
quanto aqueles mensuráveis pelos indicadores. É preciso ter
cuidado para não sucumbir à idéia de que se avalia apenas para
tomar decisões.
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*
Daniel Brandão, Mariangela de Paiva Oliveira e Rogério Renato Silva
são consultores e facilitadores do Instituto Fonte,
clique aqui para ler
mais sobre eles.
Clique aqui para ler a íntegra da publicação, disponível no
portal Risolidária |
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